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Dor na barriga

O que é refluxo? Saiba como tratar e prevenir esse problema

Dr. Márcio de Queiroz Elias Publicado em: 06/04/2023 - Atualizado em: 02/03/2026
Imagem do post uma mulher de cabelo curto com dor abdominal


O refluxo é uma das doenças mais frequentes nos países ocidentais e também o distúrbio que mais acomete o tubo digestivo. Para entender o que é refluxo, é importante saber que afeta entre 12% e 20% da população brasileira, atingindo pessoas de todas as idades, desde crianças até idosos ².

Trata-se de uma condição comum, mas que pode gerar impactos significativos na qualidade de vida quando não é reconhecida e controlada adequadamente ².

De forma simplificada, o problema ocorre quando o conteúdo do estômago retorna para o esôfago devido ao relaxamento inadequado do esfíncter esofágico inferior ³.

Esse movimento provoca sintomas, como queimação, azia, dor retroesternal e sensação de desconforto persistente, que tendem a se intensificar após refeições ou em determinadas posições do corpo. Quando não tratado, o quadro pode se tornar recorrente e mais difícil de controlar ³.

Neste conteúdo, entenda o que é refluxo ácido, por que acontece e como tratar e prevenir episódios.

Resumo

  • Refluxo é o retorno involuntário do ácido do estômago para o esôfago. O maior causador de refluxo é o relaxamento do esfíncter esofágico inferior, favorecido por obesidade, alimentação gordurosa, álcool, tabagismo e hábitos alimentares inadequados ¹.
  • Os sintomas mais comuns incluem azia, queimação no peito, regurgitação e gosto amargo na boca. Também podem ocorrer tosse seca, rouquidão, dor torácica, sensação de bolo na garganta e piora ao deitar à noite ².
  • Para aliviar e prevenir crises de refluxo, recomenda-se fracionar refeições, evitar alimentos gordurosos, não deitar após comer, elevar a cabeceira da cama e controlar o peso. Medicamentos podem ser usados com orientação médica quando necessário ³.
  • É indicado procurar ajuda médica quando os sintomas são frequentes, intensos ou persistem por semanas, interferem no sono ou na alimentação, ou surgem sinais de alerta, como dor, dificuldade para engolir e perda de peso 4.

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O que é refluxo?

Segundo o Consenso Brasileiro sobre Doença do Refluxo Gastroesofágico, trata-se de uma “afecção crônica decorrente do fluxo retrógrado de parte do conteúdo gastroduodenal para o esôfago e/ou órgãos adjacentes, acarretando variável espectro de sintomas (esofágicos ou extra-esofágicos), associados ou não a lesões teciduais.” ¹

Em uma linguagem mais simples da Biblioteca do Ministério da Saúde, podemos definir o que é refluxo como o retorno involuntário do ácido do estômago para o esôfago 4.

O relaxamento da válvula que propicia o retorno do conteúdo digestivo é causado pelo excesso de secreção gástrica no estômago 5.

O refluxo pode ser classificado como fisiológico (estado normal do corpo) e patológico (estado anormal causado por doença ou condição). No primeiro caso, não está associado a outras doenças e complicações, o que permite um tratamento mais simples e sintomas mais controlados ³.

No segundo caso, apresenta prognósticos mais graves e tratamento clínico diferenciado ³.

Qual é o maior causador de refluxo?

O principal fator é o relaxamento inadequado do esfíncter esofágico inferior, estrutura que deveria impedir o retorno do conteúdo gástrico. Esse enfraquecimento permite que ácido e alimentos subam para o esôfago, causando queimação. Alimentação gordurosa, excesso de peso, álcool e tabagismo agravam esse mecanismo e favorecem crises mais frequentes ¹.

Por que acontece crise de refluxo?

As crises são atribuídas principalmente ao desequilíbrio na produção de ácido gástrico. A hipersecreção altera o pH do estômago e enfraquece os mecanismos naturais de proteção da mucosa. Dessa maneira, tecidos ficam mais vulneráveis à ação do ácido clorídrico e da pepsina, favorecendo irritação, inflamação e sintomas intensos ¹.

No entanto, é importante salientar que a secreção de ácido gástrico é um processo dinâmico e importante para nosso corpo. Isso porque facilita a digestão de proteínas pelo organismo, ajuda a absorver o ferro, o cálcio e a vitamina B12, assim como auxilia a combater infecções na região, como a da bactéria Helicobacter pylori 5.

Alguns hábitos comportamentais, como o tabagismo e o consumo exagerado de bebidas alcoólicas e de cafeína, estão associados a maior possibilidade de manifestação dos sintomas de refluxo gastroesofágico 5.

Refeições volumosas antes de deitar, obesidade e doenças, como a hérnia de hiato, também são fatores de risco 4.

Por que o refluxo piora à noite?

À noite, o refluxo tende a se intensificar porque a pessoa fica deitada, perdendo o auxílio da gravidade para manter o ácido no estômago. Além disso, há redução da produção de saliva e da deglutição durante o sono, mecanismos que ajudam a neutralizar o ácido e proteger o esôfago ².

Quais são os sintomas do refluxo?

Os sintomas comuns incluem pirose e regurgitação. A pirose é a sensação de queimação ou azia, que começa no estômago e pode subir até a garganta, devido ao contato do ácido com o esôfago. A regurgitação ocorre quando alimento ou líquido retornam do estômago, causando gosto ácido na boca ¹.

Além desses sintomas de refluxo que pioram à noite, vale destacar ²:

  • manifestações extra-esofágicas, como pneumonia e bronquite;
  • disfonia, que impede a produção natural da voz;
  • pigarro;
  • tosse seca.

As crises se assemelham a outros distúrbios do trato gastrointestinal, como úlcera gástrica e gastrite. Nesse caso, só um exame mais minucioso de um médico pode fornecer um diagnóstico preciso. ¹

Como aliviar e prevenir episódios de refluxo?

Algumas mudanças simples na rotina e na alimentação fazem grande diferença no controle, como ³:

  • ajustar a alimentação: evitar alimentos gordurosos, frituras, café e bebidas alcoólicas reduz a acidez;
  • fracionar refeições: comer menores quantidades ao longo do dia diminui a pressão no estômago;
  • evitar deitar após comer: aguardar pelo menos duas horas ajuda a prevenir o retorno do ácido;
  • elevar a cabeceira da cama: facilita a ação da gravidade durante o sono;
  • manter peso saudável: reduz a pressão abdominal.

Essas medidas, quando adotadas de forma contínua, contribuem para menos crises e mais conforto diário ³.

Como Buscopan pode ajudar?

Buscopan alivia a dor abdominal associada a espasmos do trato gastrointestinal. O medicamento antiespasmódico relaxa a musculatura lisa do intestino e do estômago. Dessa forma, reduz cólicas e desconfortos na barriga que podem acompanhar quadros digestivos, proporcionando alívio sintomático e melhora do bem-estar geral 6.

É importante destacar que Buscopan não age diretamente no refluxo nem na produção de ácido gástrico. Seu efeito limita-se ao combate de espasmos dolorosos na região abdominal. Por isso, o uso deve ser orientado por um médico, que avaliará a causa dos sintomas e indicará o tratamento mais adequado 6.

FAQ - Perguntas frequentes sobre o que é refluxo

Qual a diferença entre DRGE e gastrite?

DRGE é uma condição crônica caracterizada pelo retorno frequente do ácido do estômago para o esôfago, causando sintomas persistentes. Gastrite refere-se à inflamação da mucosa gástrica, geralmente associada a infecção, medicamentos ou álcool. Embora possam coexistir, afetam estruturas diferentes e exigem diagnóstico adequado, tratamentos distintos e acompanhamento médico individualizado ³.

O que é hérnia de hiato e como ela influencia o quadro?

Hérnia de hiato ocorre quando parte do estômago se desloca para o tórax. Essa alteração enfraquece o mecanismo antirrefluxo, facilitando o retorno do ácido para o esôfago. A hérnia pode agravar a frequência e a intensidade do refluxo, sobretudo em associação com obesidade, idade e alimentação inadequada ².

Quais remédios podem piorar os sintomas?

Alguns medicamentos podem irritar a mucosa ou relaxar o esfíncter esofágico inferior. Entre esses fármacos estão anti-inflamatórios, certos analgésicos, antidepressivos, benzodiazepínicos e bloqueadores de canais de cálcio. O uso deve ser avaliado, especialmente em pessoas com sintomas frequentes ou histórico de complicações digestivas, sempre com orientação médica e acompanhamento regular 5.

Gestantes e bebês podem apresentar o quadro? O que muda no cuidado?

Na gravidez, alterações hormonais e compressão abdominal favorecem o retorno do ácido. Em bebês, o sistema digestivo ainda é imaturo. O cuidado prioriza medidas posturais, ajustes alimentares e uso criterioso de medicamentos, sempre com acompanhamento profissional, evitando automedicação, doses inadequadas e intervenções desnecessárias nessa fase sensível 4.

Em quanto tempo o tratamento medicamentoso costuma fazer efeito?

O efeito varia conforme o caso e a classe utilizada. Antiácidos aliviam rapidamente, enquanto bloqueadores de ácido e inibidores da bomba de prótons costumam mostrar melhora significativa entre uma e duas semanas. Mudanças de hábitos são essenciais para resultados duradouros, com adesão às orientações médicas e nutricionais 5.

(1) Nasi A, Moraes-Filho JPP de, Cecconello I. Doença do refluxo gastroesofágico: revisão ampliada. Arquivos de Gastroenterologia. 2006 Dec;43(4):334–41.


(2) Guimarães IMF, Corrêa LSG, Ferraz AR. Doença do Refluxo Gastroesofágico: revisão de literatura. Revista Eletrônica Acervo Médico. 2022 Aug 17;15:e10828.


(3) Fraga PL, Martins F dos SC. Doença do Refluxo Gastroesofágico: uma revisão de literatura. Cadernos UniFOA. 2017 Mar 28;7(18):93–9.


(4) Biblioteca Virtual em Saúde, Ministério da Saúde. [Internet]. Refluxo gastroesofágico. Available from: https://bvsms.saude.gov.br/refluxo-gastroesofagico/


(5) Santos FA, Rao VS. Fármacos para o controle da acidez gástrica e protetores da mucosa. In: Oriá RB, Brito GAC. Sistema Digestório: Integração básico-clínica. São Paulo: Editora Edgard Blucher Ltda. 645-669. Available from: https://www.researchgate.net/publication/310792175_Farmacos_para_o_Controle_da_Acidez_Gastrica_e_Protetores_da_Mucosa


(6) Bula do Produto Buscopan


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